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O projeto Individualmente |
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Para alguns alunos, os anos escolares estão naturalmente encadeados em um desenvolvimento contínuo e crescente de suas habilidades acadêmicas, e seu desempenho reflete esse percurso. Para eles, aprender da maneira como a escola ensina é natural. Mas não é assim para todos. A educação de alunos com TEA tem trazido desafios aos métodos pedagógicos e propostas curriculares vigentes em todo o mundo. A situação ainda é muito adversa e expõe indivíduos e famílias inteiras a níveis críticos de risco emocional e financeiro. Ensinar alunos com TEA requer um esforço não somente na direção da igualdade, ainda que com qualidade, mas, fundamentalmente, um esforço para projetar, acatar e conviver com diferenças: distintas trajetórias, percursos alternativos.
Em decorrência da natureza neurobiológica de suas dificuldades, as crianças e jovens com TEA têm de trabalhar com fragmentos de informação, com a difícil tarefa de tentar atribuir um padrão ao conjunto da informação que recebem. Esse universo “fragmentado” contribui para reforçar o senso de frustração construído ao longo de uma vida escolar marcada pelo fracasso. Com os recursos cognitivos ocupados em lidar com a dor psíquica do fracasso, o jovem não pode avançar em seu processo de aprendizagem e se vê, então, aprisionado no sistema escolar: como não tem as ferramentas, não consegue aprender pela metodologia convencional; e como não aprende, não pode ser legitimado como sujeito que tem interesse em aprender. Em nome do talento e do dom, é possível desqualificar a criança ou o jovem que se supõe não deter a mesma capacidade dos outros.
Nós, do Individualmente, acreditamos que o dilema atual da diversidade de alunos versus a eficiência do ensino pode ser abordado pelo ângulo da customização da aprendizagem. À medida em que o aluno com TEA puder individualizar seu percurso de aprendizagem e desenvolver habilidades metacognitivas para adquirir autonomia na gestão de sua aprendizagem, ele terá condições de construir uma autoimagem de aprendiz produtivo e minimizar o sentimento de não-pertencimento ao ambiente escolar. Em outras palavras, o estudante poderá ser mais atuante no planejamento de suas futuras ações, sem sentir-se vencido pelos seus “limites” na vida adulta.
Compartilhamos da ideia de Sacristán (2002) de que “é necessária uma pedagogia diferenciada no desenvolvimento de um currículo comum que pratique estratégias variadas de aprendizagem com métodos parcialmente individualizados para dar espaço e estímulo às singularidades dos sujeitos”.
O projeto Individualmente tem como seus objetivos principais:
• Desenvolver programas interdisciplinares que promovam o desenvolvimento
integral de crianças e jovens com Transtornos Específicos de Aprendizagem
(TEA), especialmente com dislexia e discalculia.
• Envolver alunos, pais, educadores e profissionais especialistas na busca
de alternativas bem-sucedidas para o processo de ensino-aprendizagem
de alunos com dislexia e discalculia. |
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